Publicidade

Santa Catarina Sedia Simulado Interestadual de Desastres

Sul do País Unificado Contra o Clima Extremo

Por: Mauro Paes Corrêa
01/07/2026 às 12h18
Santa Catarina Sedia Simulado Interestadual de Desastres
Foto: Divulgação CBMSC

BLUMENAU (SC) — Diante do avanço das mudanças climáticas e do aumento substancial na frequência de eventos meteorológicos severos, as corporações de salvamento da Região Sul do Brasil decidiram blindar suas fronteiras operacionais por meio da cooperação tática. No próximo dia 14 de julho, o município de Blumenau, no Vale do Itajaí, se tornará o epicentro do II Simulado Integrado da Região Sul.

Promovido pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), o exercício de grande porte reunirá especialistas e tropas de elite de três estados: Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O foco central em solo catarinense será o aprimoramento em operações de busca e salvamento em inundações e enxurradas, um dos cenários mais desafiadores para a proteção civil regional.

Ciclo de Preparação Regional Integrada

A iniciativa em solo catarinense consolida a continuidade de um planejamento estratégico de longo prazo iniciado em maio deste ano, quando a primeira etapa do treinamento foi realizada em território gaúcho, priorizando o resgate em estruturas colapsadas. O encerramento desse cronograma de cooperação mútua ocorrerá em agosto, no Paraná, com foco direcionado ao combate a incêndios florestais.

Período (2026) Estado Sede Foco Principal do Treinamento Operacional
Maio Rio Grande do Sul Busca e resgate em estruturas colapsadas (BREC)
Julho (Dia 14) Santa Catarina Operações de salvamento em inundações e enxurradas
Agosto Paraná Combate a incêndios florestais e gestão de biomas

Este cronograma tático é executado em um momento crítico. Especialistas e órgãos meteorológicos alertam para o risco iminente de anomalias climáticas intensificadas com a chegada do fenômeno El Niño, que historicamente potencializa o volume de chuvas e tempestades severas no Sul do país. O grande objetivo é ampliar a capacidade logística de mobilização e resposta coordenada em cenários reais de calamidade pública.

"O simulado oportunizará a integração entre os Corpos de Bombeiros Militares dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com o objetivo de treinar e aprimorar a capacidade logística de mobilização, sustentação e emprego do efetivo, no contexto das operações de resposta a desastres na Região Sul do Brasil."

Coronel Jefferson de Souza, Subcomandante-Geral do CBMSC.

Logística de Guerra e Cenários Realistas em Campo

O exercício movimentará um contingente robusto de aproximadamente 100 bombeiros militares na organização e execução direta das atividades. Para além das tropas locais catarinenses, cerca de 20 militares vindos do Paraná e outros 20 do Rio Grande do Sul estarão em campo, testando em tempo real a interoperabilidade de equipamentos, ferramentas comunicacionais e divisões de comando.

A base logística integrada — que abrigará as estruturas de comando de incidentes, o acampamento de campanha e a base de suprimentos — será centralizada no Complexo Esportivo do SESI, em Blumenau. A partir deste ponto, as simulações práticas se desdobrarão em duas frentes de alta complexidade técnica:

  • Calha do Rio Itajaí-Açu: Operações fluviais complexas e resgates em correnteza nas proximidades da Ponte da Rua Santa Catarina, em Blumenau.

  • Bairro Tapajós (Indaial): Cenários simulados em áreas urbanas e de encosta afetadas por enxurradas repentinas e isolamento de comunidades.

O gerenciamento de campo estará sob a coordenação do tenente-coronel Matheus Muniz Corradine, comandante do 3º Batalhão de Bombeiros Militar. Segundo o oficial, a escolha das locações visa aproximar ao máximo os bombeiros das situações reais enfrentadas nas grandes cheias da região.

"O simulado em Blumenau representa mais uma etapa da integração entre os Corpos de Bombeiros Militares da região Sul. Em Santa Catarina, treinaremos operações de busca e resgate em inundações e enxurradas, empregando equipes especializadas, equipamentos específicos e um sistema de comando estruturado, reforçando o compromisso das três corporações em manter seus efetivos preparados para prestar um atendimento de excelência."

Tenente-Coronel Matheus Muniz Corradine, coordenador do exercício.

Atualmente, o estado anfitrião conta com 17 equipes fixas do Grupo de Resposta a Desastres (GRD), distribuídas estrategicamente em todos os batalhões territoriais da corporação. A expectativa do comando unificado é de que a validação mútua de protocolos durante as simulações resulte em um plano de auxílio mútuo ainda mais ágil, preciso e eficiente para salvaguardar vidas humanas nas próximas temporadas de cheias.