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Pesquisadores de Yale desenvolvem vacina experimental promissora contra o herpes genital

Vacina é mais um possível reforço contra o Herpes

Por: Mauro Paes Corrêa
01/07/2026 às 20h16
Pesquisadores de Yale desenvolvem vacina experimental promissora contra o herpes genital
Foto: Yale School of Medicine

   O herpes genital é uma infecção crônica e que acompanha o paciente por toda a vida. Embora os tratamentos atuais consigam controlar os sintomas, eles não são capazes de curar a infecção ou impedir a transmissão do vírus. No entanto, cientistas da Escola de Medicina de Yale (Yale School of Medicine) deram um passo significativo em direção a uma vacina que, em modelos pré-clínicos, conseguiu prevenir a infecção.

   Em um estudo publicado em 19 de junho na revista científica Science Immunology, os pesquisadores avaliaram uma vacina dividida em duas etapas. A técnica consiste em uma primeira aplicação intramuscular convencional — semelhante à vacina da gripe — seguida pela introdução de nanopartículas na vagina, local onde ocorre a infecção por herpes em mulheres.

   A lógica por trás do método é que a injeção inicial serve para "preparar" (prime) o sistema imunológico, enquanto o segundo tratamento localizado "atrai" (pull) a atividade imune diretamente para o local onde a infecção acontece. O estudo amplia a abordagem original de "preparar e atrair" ao desenvolver uma nova nanopartícula que induz a imunidade local de forma eficaz.

   "Descobrimos que, em experimentos pré-clínicos, essa abordagem é uma maneira segura de recrutar as células imunes certas no lugar certo para gerar imunidade protetora."

Dra. Akiko Iwasaki, autora sênior do estudo e professora de Imunobiologia em Yale.

O desafio das vacinas tradicionais e a criação da BEACON

   Os esforços anteriores para criar uma vacina contra o herpes genital esbarravam em uma limitação crucial das injeções intramusculares tradicionais: elas não conseguem estabelecer populações robustas de células imunes ou anticorpos no revestimento vaginal, limitando a eficácia do ataque ao vírus.

   Para solucionar o problema, o laboratório liderado por Iwasaki testou duas estratégias isoladas no passado:

  1. Uso de quimiocinas: Proteínas que direcionam células de defesa, mas que geraram apenas proteção parcial por não engajarem as células B.

  2. Molécula de DNA estimulante: Reduziu a quantidade de vírus, mas causou inflamação local.

   A solução veio ao combinar as duas estratégias. O pós-doutorando Sachin Bhagchandani liderou a criação da BEACON (Bioactive Enhanced Adjuvant Chemokine Oligonucleotide Nanoparticles), uma nanopartícula estável que une o pedaço de DNA imunoestimulante à quimiocina.

   Com a BEACON, os pesquisadores conseguiram atingir apenas as células certas para gerar a imunidade, em vez de afetar todas as células de forma generalizada. Isso permitiu usar uma quantidade muito menor da molécula de DNA, evitando o desenvolvimento de inflamações.

Resultados expressivos em testes de laboratório

   Nos testes pré-clínicos com camundongos fêmeas, as cobaias receberam a dose intramuscular e, depois, a BEACON junto com o antígeno do vírus por via intravaginal.

Os resultados foram promissores:

  • A BEACON estabeleceu respostas fortes de anticorpos e células imunes no tecido vaginal que duraram a longo prazo (pelo menos seis meses).

  • Quando expostos ao vírus do herpes, 80% dos camundongos que receberam o tratamento combinado não mostraram sinais da doença.

  • Em comparação, apenas 40% dos camundongos que receberam apenas a injeção intramuscular tradicional ficaram protegidos.

   "Isso nos mostrou que essa abordagem pode ser profundamente impactante, estabelecendo respostas imunes locais por um período de tempo significativamente longo."

Dr. Sachin Haresh Bhagchandani, autor principal do estudo.

Próximos passos: Vacina para humanos e combate ao estigma

   Os pesquisadores agora avaliam se o método "preparar e atrair" também pode ser usado para tratar infecções já existentes, além de preveni-las. O foco também está em como adaptar a tecnologia para seres humanos. Em parceria com o laboratório Appel, em Stanford, a equipe estuda transformar a BEACON em um supositório vaginal. Além disso, os cientistas exploram uma abordagem nasal (onde a atração imune ocorreria no nariz), o que permitiria que o tratamento também funcionasse para homens.

   Embora os testes clínicos em humanos ainda dependam de etapas futuras, o objetivo final é claro: criar uma vacina que reduza o impacto físico e social da doença.

   "Muito do sofrimento pelo qual os pacientes passam não é apenas físico; é mental e social", destaca a Dra. Iwasaki. "Mas os vírus são os mesmos — seja gripe, vírus Epstein-Barr ou herpes simples, não é culpa da pessoa ter contraído. E ainda assim há muito estigma. Esperamos que esse tipo de estratégia previna doenças que afetam as pessoas de maneira profunda."