
Jorginho Mello (PL), atual governador de Santa Catarina, precisa vencer no primeiro turno se quiser uma próxima gestão com mais tranquilidade e sem tropeços nas composições, tanto no Legislativo quanto nas bases eleitorais do PL e de outros partidos à direita que têm crescido nos pequenos municípios.
A composição com o Novo (colocando o partido dentro da chapa com o prefeito Adriano Silva na vaga de vice-governador em uma provável futura chapa eleitoral) causou polvorosa no MDB, que, até então, via uma confiança irrestrita no futuro político junto ao PL em Santa Catarina.
Agora, a notícia de que o MDB (conhecido como "Manda Brasa") foi escanteado a ponto de sequer ser lembrado na composição majoritária ao governo do Estado movimentou líderes políticos. Parte deles defende que uma eventual aproximação com o PSD poderia, a depender do cenário que se desenrolará nos próximos meses, ser uma alternativa para manter o MDB dentro de um projeto de governo em uma futura gestão.
Sempre ponderado, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), coloca-se como um político moderado que, ao mesmo tempo, busca manter o discurso da direita e o apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vale pontuar que, embora Bolsonaro esteja preso, na visão de muitos brasileiros, ele sofre perseguições injustas.
Os ruídos dessa aproximação intensa entre Novo e PL serão sentidos em Santa Catarina e podem ter duas consequências para o atual governador: ou a vitória no primeiro turno com ampla maioria dos votos ou, caso a disputa vá para o segundo turno, um embate acirrado contra o prefeito de Chapecó. Neste cenário, Rodrigues poderia, inclusive, receber votos da "esquerda silenciosa", que votaria em qualquer candidato que não fosse do PL.