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Dermatologista esclarece dúvidas após debate sobre o PMMA

Relatos recentes de complicações e mudanças nas regras reacendem discussão

Foto: Amanda Garcia Ludwig
Foto: Amanda Garcia Ludwig

  Relatos recentes de figuras públicas sobre complicações relacionadas ao polimetilmetacrilato (PMMA) e a decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) de ampliar as restrições ao uso da substância voltaram a colocar o produto no centro das discussões sobre procedimentos estéticos. Diante desse cenário, uma dúvida passou a ser frequente entre pacientes que realizaram preenchimentos no passado: quem tem PMMA no corpo precisa se preocupar?

  Segundo a dermatologista Ana Carolina Búrigo, da Clínica Belvivere, a resposta é: não necessariamente. Muitas pessoas convivem com o material por anos sem apresentar qualquer alteração. No entanto, por se tratar de um produto permanente, o acompanhamento deve ser diferente daquele feito com preenchedores absorvíveis.

  "O mais importante é que o paciente saiba qual produto foi utilizado, onde foi aplicado e procure avaliação médica caso surjam alterações na região, como inchaço, vermelhidão ou nódulos", orienta a especialista.

Complicações podem aparecer anos depois

  Uma das principais características do PMMA é o fato de não ser absorvido pelo organismo. Por isso, explica a médica, as complicações podem surgir meses ou até muitos anos após a aplicação. Infecções, traumas, novos procedimentos estéticos na mesma região e até alterações do sistema imunológico podem funcionar como gatilhos para reações inflamatórias tardias.

Os pacientes devem ficar atentos aos seguintes sinais de alerta:

  • Dor persistente ou vermelhidão;
  • Aumento da temperatura local ou inchaço que surge/piora com o tempo;
  • Endurecimento da região, formação de nódulos, deformidades ou assimetrias;
  • Saída de secreção e feridas na pele.

  Em situações mais graves, podem ocorrer infecções, migração do produto e reações inflamatórias intensas. Nesses casos, a orientação é procurar avaliação imediata com um dermatologista ou cirurgião plástico.

Como saber se tenho PMMA aplicado?

  Outra dúvida frequente é sobre como descobrir qual produto foi utilizado, principalmente em procedimentos antigos. De acordo com Ana Carolina Búrigo, o ideal é que o paciente solicite o prontuário ou o registro do procedimento, onde devem constar o nome comercial e o lote do produto.

  Quando essa informação não está disponível, a avaliação médica é o primeiro passo. Exames de imagem, como a ultrassonografia de alta frequência, podem auxiliar na identificação de materiais de preenchimento, embora nem sempre seja possível determinar com absoluta certeza qual foi a substância aplicada.

  “Para pacientes que não apresentam sintomas, não existe recomendação de realizar exames periódicos apenas por terem PMMA. O acompanhamento passa a ser indicado caso surjam alterações ou antes da realização de novos procedimentos estéticos na mesma região”, destaca a médica.

Segurança em primeiro lugar

  Atualmente, existem alternativas consideradas mais seguras para a maioria das indicações estéticas, como o ácido hialurônico (absorvível) e a lipoenxertia (gordura do próprio corpo).

  A dermatologista reforça que a escolha de qualquer tratamento deve sempre ser precedida de uma avaliação médica individualizada e de uma conversa clara sobre os riscos, benefícios e limitações de cada técnica, priorizando sempre a segurança e o respaldo científico.