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Comissão debate nesta quarta-feira a criminalização do ódio às mulheres e a instituição do 'PL da Misoginia'

A 9a Reunião da CMCVM realiza audiência pública semipresencial e interativa para analisar o projeto que altera a Lei de Racismo, abrindo canais para participação direta da população.

Foto:  Mauro Paes Corrêa/PB/IA
Foto: Mauro Paes Corrêa/PB/IA
     A discussão atende ao Requerimento nº 26/2026 - CMCVM, de autoria da própria presidente do colegiado, a Deputada Federal Luizianne Lins (REDE-CE). O projeto, apelidado de "PL da Misoginia", busca alterar a Lei nº 7.716/1989 (Lei de Racismo) para punir de forma contundente a aversão, o preconceito e o ódio direcionados às mulheres, estabelecendo novos marcos legais e civis com atenção redobrada ao ambiente cibernético.

Participação Popular em Tempo Real

    Por se tratar de uma audiência pública de natureza interativa, o Congresso Nacional disponibilizará canais diretos para que cidadãos de todo o país enviem perguntas, comentários e críticas em tempo real. Os interessados poderão acompanhar a transmissão ao vivo e enviar suas contribuições por meio do portal e-Cidadania (disponível no endereço eletrônico senado.leg.br/ecidadania) ou, alternativamente, pela central telefônica gratuita da Ouvidoria, através do número 0800 061 22 11.

Raízes Históricas e o Legado da 'Lei Lola'

    Na justificativa apresentada no requerimento original, a deputada pontua que a violência de gênero não pode ser interpretada como um conjunto de fenômenos isolados ou episódicos. Trata-se, ao contrário, do sintoma mais evidente e cruel de uma cultura estrutural de ódio e discriminação direcionada às mulheres.

    O novo projeto representa o desdobramento natural de uma trajetória legislativa que já possui marcos pioneiros no país. Luizianne Lins relembrou a autoria da Lei nº 13.642/2018, conhecida nacionalmente como "Lei Lola". Esta foi a primeira legislação em solo brasileiro a usar explicitamente o termo "misoginia" em seu texto, transferindo para a Polícia Federal a responsabilidade de investigar crimes de ódio contra as mulheres propagados nas redes de computadores.

A Urgência do Enfrentamento no Ambiente Digital

   Um dos pontos centrais que norteiam a necessidade da audiência pública é a explosão de conteúdos misóginos em fóruns anônimos e plataformas digitais. Segundo a justificativa da parlamentar, as redes sociais têm funcionado reiteradamente como verdadeiros laboratórios e gatilhos para violências físicas severas e, no limite, para o feminicídio.

   O debate legislativo buscará não apenas a punição punitiva, mas o fortalecimento institucional da própria democracia. A comissão pretende debater como a proliferação coordenada do discurso de ódio afeta frontalmente a autonomia corporal das mulheres e asfixia a sua livre participação nos espaços políticos e institucionais do país.

Mesa de Debates: Painel de Convidados e Confirmações

   O rigor teórico e institucional da reunião será assegurado por um painel diversificado que reúne autoridades dos ministérios da Esplanada, juristas, pesquisadores e referências do ativismo de gênero. Abaixo, confira o painel completo de participantes confirmados para o evento de hoje:

Convidado(a) Representação / Cargo Status
Estela Bezerra Secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres (Representante do Ministério das Mulheres) Confirmada
Sheila de Carvalho Secretária Nacional de Acesso à Justiça (Representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública) Confirmada
Sandrali de Campos Bueno Vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) Videoconferência
Lola Aronovich Professora e pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Videoconferência
Soraia da Rosa Mendes Advogada criminalista, jurista e pós-doutora em Direito Confirmada
Marlise Matos Professora e Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPEM) Videoconferência
Benedito Medrado Dantas Professor do Departamento de Psicologia da UFPE Aguardando
Vera Lúcia Santana Araújo Ministra Substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Ausência Just.

   Entre os nomes participando remotamente, destaca-se a professora Lola Aronovich, cuja atuação militante contra o ódio na internet serviu de base histórica para a criação da já citada "Lei Lola". A única ausência formalmente justificada no painel de hoje foi registrada pela Ministra Substituta do Tribunal Superior Eleitoral, Vera Lúcia Santana Araújo.

Expectativa de Articulação

   Aprovado de maneira unânime no Senado Federal, o texto do PL 896/2023 encontra na audiência pública de hoje um passo crucial de articulação política. O debate visa consolidar as bases científicas e as justificativas práticas para pautar o combate à violência de gênero e à violência política como prioridades inadiáveis do ano legislativo corrente.

Mauro Paes Corrêa

Mauro Paes Corrêa

Fundador do Portal Benedetta, e desde 2023, é fonte de informação independente de Urussanga e Região. Colaborou desde 2007, com diferentes mídias da região Sul de Santa Catarina. Escritor, compositor e empreendedor da cidade de Urussanga, Santa Catarina.