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Endividamento preocupa comércio de Urussanga

O endividamento das famílias catarinenses atingiu o maior patamar dos últimos dois anos em junho de 2026

Foto:  Freepik/PB
Foto: Freepik/PB

O endividamento das famílias catarinenses atingiu o maior patamar dos últimos dois anos em junho de 2026, ao alcançar 76,3%, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Fecomércio SC. Apesar da alta, o indicador permanece abaixo da média nacional, que está em 81,3%.

O avanço do endividamento ocorre em um contexto de melhora nos indicadores de inadimplência no estado. O percentual de famílias com contas em atraso recuou para 25,4%, queda de 2,0 pontos percentuais em relação a maio e também inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Além disso, a parcela de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas também apresentou leve redução, passando de 10,3% para 9,9% em junho.

O resultado reforça um cenário de comportamento misto no orçamento das famílias, com maior acesso ao crédito, mas sem deterioração significativa da capacidade de pagamento. No comparativo anual, porém, o indicador subiu 6,1 pontos percentuais, evidenciando uma tendência de crescimento ao longo dos últimos meses. Entre os principais tipos de dívida, o cartão de crédito continua liderando com ampla margem, presente em 76,3% dos lares endividados, seguido pelos carnês e pelo crédito pessoal.

Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, o cenário ainda exige cautela. “O ambiente macroeconômico segue desafiador, com taxas de juros ainda muito elevadas, o que impacta diretamente o consumo e a atividade econômica como um todo. A queda da inadimplência é uma boa notícia, mas precisa ser acompanhada com atenção nos próximos meses para confirmar uma tendência mais consistente”, avalia. Outro fator que contribui para um ambiente de maior prudência é o cenário eleitoral, que costuma gerar incertezas tanto para consumidores quanto para o setor produtivo.

Realidade local: Urussanga sente os reflexos no comércio


Apesar de os números estaduais apontarem uma leve redução na inadimplência geral, o comércio de Urussanga sente o impacto desse equilíbrio delicado no bolso. Na prática, a dificuldade das famílias em fechar as contas em um ambiente econômico restritivo se traduz em desafios diários para os lojistas do município.

A presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Urussanga, Kamila Fretta Fabro, revela que a instabilidade financeira já mudou a rotina e as decisões estratégicas dos empresários locais.

“Muitos empresários têm relatado um aumento na dificuldade de recebimento, o que acaba impactando diretamente o fluxo de caixa e a segurança nas vendas”, pontua Kamila.

Como o cartão de crédito lidera o endividamento dos catarinenses, o comportamento do consumidor local mudou, forçando o comércio a se adaptar para evitar calotes. “E como consequência dessa situação, alguns estabelecimentos optaram por restringir ou até deixar de oferecer crediário próprio, priorizando vendas à vista ou por de parcelamento através dos cartões de crédito”, explica a presidente da CDL.

Diante desse cenário de incertezas, a entidade tem atuado como um suporte essencial para o empresariado urussanguense enfrentar a maré alta das dívidas. “A CDL acompanha essa realidade de perto, pois fornecemos o sistema de registros de inadimplência do SPC, e busca orientar os empresários sobre boas práticas de gestão de crédito. Um de nossos objetivos é encontrar alternativas que contribuam para a saúde financeira tanto das empresas quanto dos consumidores”, finaliza Kamila.

Os dados da PEIC indicam, portanto, um cenário de equilíbrio delicado: enquanto o crédito segue impulsionando o consumo, as famílias ainda enfrentam barreiras para manter suas finanças sob controle, um reflexo que ecoa diretamente nas vitrines e nos caixas das empresas de Urussanga.