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Como preparar sua empresa para entrar e vencer na Europa?

União Europeia atrai empresas de olho em poder de compra e segurança jurídica

Foto: Monique Amboni
Foto: Monique Amboni


A União Europeia (UE) consolidou-se como um dos blocos econômicos mais atraentes do planeta. Com um mercado consumidor vasto, alto poder de compra, estabilidade jurídica e livre circulação de mercadorias, estabelecer presença na região é o desejo de muitas empresas brasileiras. Esse movimento ganha ainda mais relevância com as expectativas em torno do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Contudo, cruzar o Atlântico exige muito mais do que fôlego financeiro. A internacionalização demanda uma estruturação estratégica rigorosa para que o sonho da expansão não se transforme em prejuízo e retrabalho.

Os primeiros passos da internacionalização


De acordo com o advogado especialista em negócios internacionais Bruno Albuquerque, que atua diretamente na ponte corporativa entre Brasil e Europa, não existe uma receita pronta para o sucesso no continente europeu. O caminho ideal varia conforme o segmento, o produto e a maturidade de cada negócio.

Para quem está começando, o especialista recomenda uma abordagem em etapas:

  1. Validação de Demanda: Investigar se o produto ou serviço realmente resolve uma dor do público europeu e avaliar a competitividade frente aos concorrentes locais.
  2. Entendimento Regulatório: Mapear as rígidas normas técnicas, fitossanitárias e de proteção de dados (como o GDPR).
  3. Definição do Modelo de Entrada: Escolher a melhor porta de acesso para o momento da empresa.
"Em muitos casos, é recomendável começar por meio de exportações ou de distribuidores locais. À medida que a atuação se consolida, a abertura de uma operação própria pode ser avaliada com maior segurança", orienta Albuquerque.

Contratação e operação física: O desafio além das vendas


Quando o plano de expansão prevê a instalação de uma estrutura física e a contratação de profissionais locais, a complexidade aumenta significativamente. A escolha do país-sede deve ser estratégica e baseada em dados, e não apenas na facilidade burocrática de abertura da empresa.

Devem ser colocados na balança:

  • Disponibilidade e custo da mão de obra local;
  • Carga tributária e incentivos fiscais oferecidos por cada governo;
  • Eficiência logística para distribuição a outros países do bloco.
"Antes de constituir uma estrutura própria, a empresa precisa compreender quais custos assumirá, quais profissionais estarão disponíveis e se a localização escolhida permite atender adequadamente aos mercados estratégicos", pontua o advogado.


Setores promissores e a importância da blindagem jurídica


A eventual consolidação do acordo Mercosul-União Europeia deve abrir caminhos vantajosos para diversos setores da economia brasileira. Albuquerque destaca como áreas de grande potencial:

  • Indústria e Agroindústria;
  • Setor Alimentício;
  • Tecnologia e Inovação;
  • Setor de Serviços.


Ainda assim, o especialista faz um alerta: a existência de um cenário macroeconômico favorável não anula a necessidade de uma análise interna criteriosa. Diferenças culturais, custos de adaptação de embalagens ou fórmulas, conformidade fiscal e a proteção de dados são barreiras reais.

O planejamento prévio, acompanhado por assessoria jurídica especializada, é o que separa as marcas que prosperam no exterior daquelas que enfrentam penalidades e custos inesperados.

"O acordo pode ampliar oportunidades, mas não substitui a análise individual do negócio. A empresa precisa entender se essa decisão faz sentido para sua realidade, sua estrutura e seus objetivos", conclui Bruno Albuquerque.

Release baseado no texto de Shaiane Corrêa.