Jornada de 18 mil km

Empresário planeja cruzar o Brasil em carro elétrico, mas busca montadora parceira para fornecer o veículo

Maurício Barros projeta rota de 23 mil km por todas as capitais brasileiras

Por Mauro Paes Corrêa
Publicado em 06/07/2026 às 19:25:45

    O medo da falta de infraestrutura para veículos eletrificados não parece ser um obstáculo para o empresário Maurício Barros. Diretor da Associação Brasileira de Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores (ABRAVEi), ele planeja uma nova e ambiciosa expedição: cruzar o Brasil do Chuí ao Oiapoque a bordo de um carro elétrico. No entanto, para que o projeto saia do papel, o aventureiro enfrenta um impasse crucial — ele ainda não tem o automóvel e busca uma marca parceira.

   A paixão por estradas começou cedo. "Quinze dias depois de completar 18 anos, já peguei minha carteira e estava viajando de moto, minha CG 125", relembrou Barros em entrevista ao portal evdrops. Com o tempo, as duas rodas deram lugar aos carros e, eventualmente, à mobilidade elétrica.

   A primeira grande experiência com a tecnologia ocorreu há cerca de quatro anos e meio, quando adquiriu um Peugeot 208 com autonomia de apenas 250 km. Após explorar a região da Serra Gaúcha, o empresário decidiu expandir as fronteiras, traçando uma rota até Buenos Aires.

O recorde sul-americano

   O divisor de águas veio em uma jornada recente de 18.233 quilômetros rodados em 39 dias pela América Latina. Utilizando um BYD Yuan Plus usado, que já acumulava mais de 160 mil km no odômetro, ele cruzou a Cordilheira dos Andes e passou por seis países. A façanha garantiu a ele o recorde não oficial de maior viagem feita em um veículo elétrico pelo subcontinente, com os bastidores registrados no perfil do Instagram @fuideeletrico.

   Apesar do sucesso, o trajeto internacional acumulou desafios logísticos. Barros recorda que, ao passar pelo Peru, encontrou diversos eletropostos inaugurados por autoridades políticas que estavam completamente desligados ou abandonados.

   "Teve um carregador rápido, o primeiro no qual parei no Peru. Não tinha aplicativo. Você colocava para carregar, a menina vinha, tirava uma foto do contador de kilowatts. Fiquei mais tempo esperando eles saberem como me cobrar do que efetivamente carregando", revelou o empresário, explicando que tomadas comuns de hotéis e adaptadores foram a real salvação durante o percurso.

Desafio de 23 mil km e a temida BR-319

   A nova expedição pelo Brasil promete ser ainda mais severa e longa do que a internacional. O plano de Barros é rodar 23 mil quilômetros — o equivalente a mais de meia volta ao mundo —, visitando todas as capitais do país.

   A logística da viagem exigirá travessias de ferry boat na região amazônica e incluirá um dos maiores desafios de engenharia e sobrevivência viária do país: a passagem pela BR-319 (rodovia que liga Manaus a Porto Velho). Conhecida pelos longos trechos sem asfalto e pela ausência quase total de infraestrutura e conectividade, a estrada impõe um teste extremo de autonomia e resiliência para baterias e suspensões.

O impasse com as marcas

   Apesar do planejamento detalhado, o projeto esbarra na cautela do mercado automotivo. Maurício Barros revelou que abriu conversas com algumas montadoras, mas as negociações esfriaram devido ao receio das corporações em relação à exposição da marca.

   "Eles têm medo de que, durante a viagem, dê algum problema com o carro e isso gere uma publicidade negativa. Eu tenho certeza que não vai acontecer nada com o carro, mas eles mesmos não confiam no próprio equipamento… aí fica difícil, né?", alfinetou o empresário.

   Semanalmente em contato com o setor de tecnologia da informação e mobilidade, Barros segue em busca de um parceiro estratégico que queira usar a megaviagem como a prova de fogo definitiva para atestar a durabilidade e a autonomia dos veículos elétricos no mercado nacional.

   Maurício Barros é diretor da ABRAVEi, que é parceira estratégica do evdrops.