Desde o início do ano, os meteorologistas Piter Scheuer e Ronaldo Coutinho, alertam para a alta probabilidade de que Santa Catarina sofra com os efeitos do El Niño nas mais diversas áreas. Além do inverno estar com o comportamento fora do esperado, pois no início do ano a previsão era de que o inverno seria mais ameno, não necessariamente seco, os modelos projetam uma região de água fria, na costa que abrange os três estados do Sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), trazendo picos de frio para a região, além da provável possibilidade de períodos com chuvas intensas.
A preocupação não é necessariamente com picos de volumes de chuvas, que também trazem preocupações, e sim a longa duração do tempo instável. A região sofreu em 2023 e 2024, os efeitos das chuvas, e na região sul catarinense, Tubarão foi severamente afetada, com dezenas de moradores perdendo suas casas na região do KM 60 e 63, em direção a Pedras Grandes. Em Urussanga, alguns bairros, como Nova Itália e Estação, sofreram com as cheias, desalojando temporariamente moradores e inclusive a Escola Lydio de Brida, teve problemas com o muro que separa a escola de uma das residências, sendo a intervenção urgente da Defesa Civil, o que evitou tragédia maior.
Para os leigos, quando os meteorolistas falam que vai chover 100 milímetros ou 150 milímetros em uma determinada semana, parte da população não dá a devida atenção. O problema em si é chover este mesmo volume, em curto espaço de dias, sem permitir o mínimo de absorção da água no solo.
As cheias de 1974 e as que vieram posteriormente, como nos anos 80 e até no final dos anos 90, ainda que menos intensas, parte delas tiveram o mesmo modo de atuação: solo encharcado ou chuvas intensas em curto espaço de tempo.
Mesmo que haja descontentes com o trabalho de prevenção, é importante destacar que até pouco tempo no passado, os municípios catarinenses sequer tinham uma estrutura de Defesa Civil. Em Urussanga, foi o ex-prefeito Luis Gustavo Cancellier quem estruturou de forma efetiva o importante órgão, sendo que as gestões posteriores deram a devida continuidade, buscando equipar com veículos e toda a ferramentaria tecnológica.
Para a cadeia produtiva, a preocupação é justificada pela perda efetiva de produção, e eventual dificuldade de escoar a produção. Estradas danificadas, linhas de trens e impossibilidade de chegar aos portos e aeroportos, podem ser uma realidade real se o pior cenário para o fenômeno climático, que foi projetado pelos diferentes modelos computacionais, realmente acontecer.
Mesmo que não aconteça nada, que é o que a comunidade espera, apesar dos sinais e o próprio comportamento do tempo demonstrarem que já estamos sob a influência do El Niño, o trabalho preventivo não foi em vão. Realizar o trabalho pesado agora, inclusive reduz custos para a manutenção futura das estruturas existantes.