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Calma similar a das nuvens
Crônica de Clarisse Pessoa
10/02/2026 19h41
Por: Mauro Paes Corrêa
Foto: Mauro Paes Corrêa/PB
   Neste exato momento, uma imensa quantidade de nuvens fracionadas percorrem pela minha cabeça. É algo normal, todo sábado à tarde ocorre isso. Elas navegam devagar, fazendo com que pessoas ansiosas como eu, não notem seus movimentos. 
    Tão nítidas. Tão reais e naturais. Tão iluminadas. Tão simples. 
   Se tornar algo assim de forma espontânea deve ser algo de extrema dificuldade. Algo vivo. 
   Não me sinto assim na maioria dos dias. Me sinto algo programado. Algo teatral. Não sei. Sinto como se estivesse interpretando uma peça totalmente feita para definir se seria aceita como atriz ou não. Como se cada passo e palavra definisse o restante da novela que hei de personificar. 
   Não é novela. Não é teatro e muito menos um filme fajuto de romantização. 
   É a minha vida. Não devo interpretar, oras, devo só ser. Ser eu. Ser a porcaria de uma nuvem em meio a um céu tão gigante. 
   A nuvem não se preocupa com uma identificação ou quem brilha mais ou quem está lá em cima enquanto as outras sumiram. Elas só são. 
   Isso me dá certa inveja delas. 
  É como aquele jogo que brincamos quando crianças, de ver algum formato no meio delas no céu. Será que as pessoas são assim com as outras também? Imaginar figuras em alguém sem ao menos conhecê-las? Ou melhor, não ter interesse algum em querer, de fato, conhecer?